Disse que havia tanto a se explorar, que havia possibilidade de manter tudo sempre muito fresco, por mais usado, como mãos lavadas, e que um escape só dependia daquilo que não queríamos saber. — Não sei o que saber quando tudo que se sabe já não é tão sabido dentro de uma utilidade única, e nem o que querer, quando tudo que se quer não é visto da maneira como poderia; então qual seria a maneira? minha maneira não é sempre a mesma; não há só uma, disse também. Essa nossa minha maneira está sempre sendo rápida demais, sempre sendo e querendo mais; porém só o que podia querer era um encontro bom mesmo. Na praça onde ela chorava sentada com o sapato jogado ao lado no chão, recusando ajuda, rejeitando possibilidade. “Ou deve ter sido deixada ou deixou cedo demais”. Bem cedinho tem vivido o que todos temos vivido juntos: tem vivido sozinha. Filha da praça agora, o que queria? só lamento? Só o que podia sentir, vontade de sentir — chão da praça, quem o é que já não o tenha tocado? Podia engatinhar toda a extensão plana e alcançar, obtê-la, e lá, no alcance perpétuo da lágrima desconhecida dizer que sim, que havia mesmo muito a se ver.
sábado, 7 de agosto de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
“É isso que precisa”
Ia se manter em pé esperando que perguntasse. Que trouxesse então, como quem traz um grande alimento nos braços, a sua alimentação. “É disso que precisa”. Podia até se apoiar nos dedos se quisesse... Aguentaria. (Não estava lá, ou fingia não estar). Ia olhar bem, reparar... O que pretende?, podia ser a pergunta. “O que vai fazer amanhã?”, veio do nada. — Veio como veio e foi como foi. Lembrou que estava perto, e tinha que sorrir.
Estava mesmo sendo assim; estava se reprisando enquanto não fosse como queria. É isso, só um abastecimento então, sem que por sua vez se saiba de alguma coisa... é só isso e não passa de uma recepção de qualquer coisa. Um recebimento afetuoso do que já está sendo passado. Manter-se-á como uma coisa inédita na incerteza de não ser. Postando-se como alguém que realmente esteja a fim de receber toda a dificuldade alheia do mundo. Como quem estivesse disposto a enfrentar gratuitamente toda essa constante dificuldade.
sábado, 19 de junho de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
sem extensão; amanhece
Foi só muito repentinamente que soube que conseguiria a diferença do que foi, quando finalmente quebrasse o dia; ele romperia instantâneo quando não existisse mais vestígio algum de vontade — da vontade de ouvir, de caber e de querer presença sem criação.
sábado, 27 de março de 2010
:
(...) já não mais acreditava no saber e nem sabia como acreditar em nada. Não soube nem mesmo o que sentir, o que dizer, o que esperar. Esperou sem saber o que esperava, vendo que o retorno da negação estava vivo novamente. Era uma onda fulgurante que vinha e cobria; por dentro dela, incertamente saberia como se pronunciar. Era o que devia: saber não esperar; era o que queria: não esperar sempre demais.
continuando
De repente, estar era tão difícil, (...) passava a se tornar uma complicação que parecia que ia por em risco alguma sobrevivência que vinha se mantendo do passado contíguo (como quando conversara sobre a felicidade). Não havia pra quem dissesse repentinamente “vamos continuar”. “Vamos continuar” agora, seria o fim. Tinha que aceitar olhando, ouvir o estalido do salivar, e se sustentar através disso; continuando sozinho sem dizer.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
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