sábado, 10 de julho de 2010

“É isso que precisa”


Ia se manter em pé esperando que perguntasse. Que trouxesse então, como quem traz um grande alimento nos braços, a sua alimentação. “É disso que precisa”. Podia até se apoiar nos dedos se quisesse... Aguentaria. (Não estava lá, ou fingia não estar). Ia olhar bem, reparar... O que pretende?, podia ser a pergunta. “O que vai fazer amanhã?”, veio do nada. — Veio como veio e foi como foi. Lembrou que estava perto, e tinha que sorrir.


Estava mesmo sendo assim; estava se reprisando enquanto não fosse como queria. É isso, só um abastecimento então, sem que por sua vez se saiba de alguma coisa... é só isso e não passa de uma recepção de qualquer coisa. Um recebimento afetuoso do que já está sendo passado. Manter-se-á como uma coisa inédita na incerteza de não ser. Postando-se como alguém que realmente esteja a fim de receber toda a dificuldade alheia do mundo. Como quem estivesse disposto a enfrentar gratuitamente toda essa constante dificuldade.


sábado, 19 de junho de 2010

era um abraço na rua: (...)



durou cerca de muito tempo: "




















", e ficou.

sábado, 17 de abril de 2010

sem extensão; amanhece




Foi só muito repentinamente que soube que conseguiria a diferença do que foi, quando finalmente quebrasse o dia; ele romperia instantâneo quando não existisse mais vestígio algum de vontade — da vontade de ouvir, de caber e de querer presença sem criação.

sábado, 27 de março de 2010

:



(...) já não mais acreditava no saber e nem sabia como acreditar em nada. Não soube nem mesmo o que sentir, o que dizer, o que esperar. Esperou sem saber o que esperava, vendo que o retorno da negação estava vivo novamente. Era uma onda fulgurante que vinha e cobria; por dentro dela, incertamente saberia como se pronunciar. Era o que devia: saber não esperar; era o que queria: não esperar sempre demais.




continuando



De repente, estar era tão difícil, (...) passava a se tornar uma complicação que parecia que ia por em risco alguma sobrevivência que vinha se mantendo do passado contíguo (como quando conversara sobre a felicidade). Não havia pra quem dissesse repentinamente “vamos continuar”. “Vamos continuar” agora, seria o fim. Tinha que aceitar olhando, ouvir o estalido do salivar, e se sustentar através disso; continuando sozinho sem dizer.




sábado, 27 de fevereiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sabia do sumir quando era / sabia pelo espaço ficado.




Ficava um assento livre pedindo. Um assento livre e construtivo. Este assento, pensava, é livre porque é senhor de si? É plano liso que escapa, que escapa de muitas coisas. Brilha demais esta desocupação quase que total; sim, quase, por ser preenchida por uma criação instantânea da vontade. Preenchido e perdido em seguida. O que se cria no sumiço é muito mais que uma tragédia, muito mais que uma aventura, se cria uma trajetória longa e às vezes dolorosa, que perpassa a privação e o querer mais uma vez. O sumiço, quando acentuado, se torna, vê-se fácil, um buraco na parede, que mostra o poder.

(...)

Desperceber virou sinônimo de carecer, e carecer virou antônimo de uma rememoração particular que está contida no assento vago que tornou desacentuado o motivo de estar. Ficar com sumiço, com ausência, passou a se tornar uma relação de amantes que nunca se viram até a noite anterior, até se deitarem ali. Isso é o que também mostra o buraco aberto enquanto dormia; ele exibe um casal que fora forte e feliz, até que amanhecesse... Mostra o que aconteceu, deixa ver o que agora foi, permite olhar o que agora é.


O rombo cáustico, que apresenta o que veio do posterior e o que viria do anterior dos acontecimentos. — Um buraco na parede e a força de um casal desconhecido. O quanto mais caberia no sumiço, dentro da falta.